quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pablo de Neruda - juiz chileno ordenou a exumação do corpo do Nobel da literatura


Um juiz chileno ordenou a exumação do corpo do poeta Pablo Neruda, que morreu em 1973, como parte de uma investigação, iniciada em 2011, à possível causa da sua morte.

Neruda morreu 12 dias depois de um golpe militar ter derrubado o Presidente socialista Salvador Allende colocando no seu lugar o general Augusto Pinochet. A família do poeta, e a fundação com o seu nome, mantiveram sempre que Neruda morreu de cancro.

A actual investigação começou depois de o antigo motorista de Neruda, Manuel Araya Osorio, dizer que agentes a mando de Pinochet o teriam envenenado na clínica onde estava a ser tratado a um cancro da próstata em estado avançado. Tinha 69 anos.

“Após o 11 de Setembro, o poeta iria exilar-se no México junto com a sua mulher, Matilde”, contou o motorista ao diário espanholEl País. “O plano era derrubar o tirano a partir do estrangeiro em menos de três meses. Ele ia pedir ajuda ao mundo para afastar Pinochet. Mas antes de apanhar o avião, aproveitando que estava numa clínica, deram-lhe uma injecção letal”.

O Partido Comunista pediu então uma investigação. O juiz Mario Carroza decidu abrir um processo à causa da morte do Nobel da Literatura. Após 20 meses de interrogatórios e perícias, decidiu , diz o diário espanhol.

O El País comenta que tal como aconteceu em Espanha com a família do poeta Federico García Lorca, que durante anos se opôs à exumação do corpo, também a Fundação Neruda se manifestou, logo no início da investigação, contra uma possível exumação. “Seria um verdadeiro acto de profanação”, disse mesmo o antigo presidente da fundação, Juan Agustín Figueroa. Mas entretanto a fundação deixou de se opor, e disse esperar que as análises aos restos mortais “ponham fim a todas as dúvidas que ainda subsistirem” e que o processo fosse levado a cabo com rapidez.

A exumação não tem ainda data marcada. Neruda está enterrado junto com a mulher em Isla Negra, a cerca de 120 quilómetros da capital, Santiago.

Em 2011, no mesmo ano em que abriu a investigação à causa da morte de Neruda, foi exumado o corpo de Salvador Allende, amigo do poeta. Foi então que se confirmou que Allende se suicidou e não foi morto pelos soldados que entraram no palácio presidencial de La Moneda durante o golpe.

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