quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Os mercadores de beleza"


Existem muitas mensagens que chegam até nós com uma imagem de perfeita beleza do amor. Muitos escreveram sobre esse sentimento nobre, o mais poderoso que um ser humano possui, mas não tiveram o cuidado de o ligar à realidade destruindo pessoas com a beleza das palavras.

Escrever sobre sentimentos é perigoso, pode danificar a consciência humana a um ponto que esta começa a olhar o amor como algo que não tem dentro de sua casa, no seu marido ou na sua esposa, pois esta informação destorcida leva a olhar o ente que amamos de outro modo, associando a realidade à utopia, começamos a dizer: este não é o homem que eu amo ou esta não é a mulher dos meus sonhos…

Tudo isto porque não reconhecemos as nossas imperfeições e projectamos nessas belas palavras de escritores conhecidos sentimentos que desnutrem os nossos afectos e a concepção de amar, agora padronizada por mentes esclarecidas que o usam sem vontade de mudar a sociedade, mas sim de mostrar imagens que não vivem no colectivo humano e na realidade limitada de cada família.

Quando recebemos aqueles arquivos de mensagens belas de amor, esquecemos de olhar um outro lado: que são apenas mensagens da utopia do amor de pseudo-iluminados que nem querem ver o lado humano, transmitindo uma mensagem errada desse sentimento nobre e maravilhoso. O mais nobre que o ser humano possui!

Por essa razão critico esses escritores, pois são apenas meros vendedores de uma beleza que existe na acepção utópica da sua visão. O escritor deve ter em mente sobretudo que a mensagem de amor deve estar ligada à consciência da nossa existência e não destruir com beleza o que as pessoas, dentro das suas limitações, têm na sua frente, a sua família e os seus companheiros de vida, obrigando estas (pessoas) a olhar o ente querido com uma visão destruidora da realidade apenas com o mero objectivo de transmitir beleza.

Na verdade temos que meditar e perguntar a nós próprios porque razões as pessoas confundem amor com prazer, felicidade com posse de bens materiais e sobretudo reflectir sobre a nossa atitude imediatista de desejar tudo agora, Já!

Vivemos numa sociedade que confunde elementos de modo a permitir associações erradas a sentimentos. O amor não é um sentimento absoluto de quem se projecta numa exigência ética e axiológica total…, o ser humano não possui esse poder, o que esses poetas e escritores dizem destrói os fundamentos da nossa consciência e dos nossos erros com uma violência tão grande que esta pode afectar a família no seu todo e a sociedade como uma estrutura onde a família habita.

A maioria das pessoas associa hormonas gostosas a amor, tem faltado amor nas pessoas, não o amor ideal e penoso dessas mensagens belas que recebemos nos nossos emails, mas sim o amor verdadeiro, aquele que assume com humildade a nossa condição de seres limitados, mas que ao assumirmos, estamos a dar o primeiro passo para a percepção real desse sentimento nobre, cultivando com as pessoas com quem partilhamos a vida e dando a mão para mudarmos sem nos destruirmos com uma beleza fictícia, algo que não existe senão na mente dos vendedores de utopia.

Eu acredito que o amor é a solução para a enorme crise da consciência humana actual. Não chorem porque são infelizes, nem sorriam quando a luz entra nos vossos olhos até chegar ao coração. A verdade está algures no meio entre o choro e o sorriso, mas existe um facto que é muito mais importante que essas mensagens bonitas que nos chegam nos "PPS" da vida!..

Amor verdadeiro é comunicação, é na comunicação que se estrutura o afecto. Comunicação também são actos e atitudes, não apenas palavras, existe uma dimensão da comunicação que todos ignoramos e que eu aqui tentarei partilhar numa próxima mensagem; nós comunicamos também por ondas cerebrais, nós somos pura energia, quando cortamos a comunicação destruímos tudo e toda a possibilidade de amar e sermos amados, joguem no lixo essa falsa beleza da utopia e usem da maior humildade com as pessoas que amam respeitando-as sem olhar palavras que apenas existem na beleza dos ideais humanos mediatizados pelos mercadores de beleza.

O amor não é um sentimento que apenas existe para quem se projecta numa exigência ética e absoluta total, senão o amor não superaria o erro, os mercadores de beleza o dizem, mas conceptualmente estão errados, pois o amor é compaixão, o reconhecimento da nossa incapacidade, a pura humildade do reconhecimento do erro.

Nós somos pura energia!

Miguel Martins de Menezes
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